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Rita Comércio refere-se à sua história como um espaço "onde palavras e pensamentos giram em torno da inexplicável existência do ser; um espaço de reflexão onde o Homem é personagem principal condicionado pelo próprio veredicto da sua existência!"

Assumindo traços do existencialismo perfilhado por Jean-Paul Sartre os seus textos enquadram-se no Neo-fantástico presente nas obras de Kafka;

Aqui neste espaço fica uma pequena parte do seu texto intenso, repleto de cheiros e sentimentos, em que alma e corpo se separam sendo dois seres que possuem diferentes naturezas: a alma é uma realidade invisível que existe em si e por si; o corpo, nunca permanecendo idêntico a si mesmo, é uma realidade bem visível que se sujeita constantemente a um processo de decomposição dada a sua natureza.

"A constatação":

Do meu quarto arrendado neste prédio velho de uma estreita rua de lisboa consigo sentir o odor do Tejo, perceber a luminosidade da Lua e sentir a brisa do vento. Normalmente deixo-me ficar encostada na janela enquanto os meus sentidos vagueiam ao sabor das sensações e emoções em busca de novas cores, cheiros e sabores...

Desta vez tudo foi diferente!

A noite mistura-se com o Tejo e percebo a lua vaidosa exibindo a sua imagem graciosa e cintilante nas águas calmas, ingénuas e submissas do Tejo. A Lua começa por sorrir soltando pouco a pouco gargalhadas egoístas, narcisistas e estridentes! A água ondula ao sabor do vento que divertido,egoísta e indiferente sopra as pequenas ondas que se formam...


Os meus sentidos assustados esforçam-se por regressar a mim... Assustam-se por ver na natureza o veneno que os corrompe, a lua egoísta ri cada vez mais alto e invade as quatro paredes que me albergam..quero fugir mas não há porta!O vento, superior, juntou-se a nós deitando-me ao chão, empurrando-me e espezinhando-me perante o riso louco da lua...A água que corre submissa à força manifestada pelo vento e ao riso louco da lua segue por entre murmúrios e sussurros, solidária mas pouco interessada lembrando-me que mais não sou mais que uma gotinha dessa água...


Quero fugir mas o vento forte envolve-me com amarras de aço, os meus pensamentos surgem dolorosos e feridos, rasgando o meu peito que chora baixinho...O sangue desce, lentamente e indiferente por entre o trilho que imaginariamente definiu, sem escutar os meus gritos de horror...

Assisto consciente ao tormento do mundo que me envolve. Grito sem que o mundo que me olha veja, sem que Lisboa pare... Grito sem que as pessoas que me ouvem me escutem...Grito sozinha porque solitária é condição humana quando até o egoísmo moderado pela água do Tejo e conduzido pelo vento faz rir estridentemente a lua!

Grito porque o que alimenta a sociedade já não é a saudável verdade, já não é a solidariedade! Grito porque o que sacia e move o homem é o egoísmo motivado pelo egocentrismo e conformismo que me chicoteia, fere, sufoca e destrói...

Grito!Grito!Grito!Constatando esta realidade que me abraça

Grito!Grito!Grito!Até que louca desmaio...



A continuação está disponivel em :

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